CONSULTEC
EMPRESA VENCEDORA PRÊMIO TOP SOCIAL 2007.

CASE “DEUS, DARWIN E O VESTIBULAR”
“Deus não escolhe os qualificados; qualifica os
escolhidos.”
Filosofia popular
BREVE RACIOCÍNIO
O exame vestibular, como entidade ou instituição, atua de forma exatamente contrária àquilo que os crédulos vêem como os critérios divinos. Ele seleciona os qualificados e dessa forma reforça a Teoria de Darwin, pela qual só os qualificados lutam, superam as dificuldades e sobrevivem. É a chamada seleção natural.
Entretanto, a cadeia evolutiva de Darwin se processa no ambiente da natureza, enquanto o vestibular se configura como uma cadeia evolutiva social que se processa num ambiente chamado nação. Quando essa nação é o Brasil, identifica-se um histórico fortemente desfavorável à qualificação, à formação de cidadania, assim contribuindo para reforçar o caráter excludente no processo seletivo do vestibular.
Analisando-se o sistema educacional brasileiro, a partir dos anos 60 do século passado, constata-se que a Educação, seja ela pública ou privada, oferece cada vez menos condições ao cidadão de se preparar para a vida e de se qualificar para enfrentar o vestibular. Ao longo dessas décadas e, por razões que não cabem na elaboração deste case, a educação de qualidade no Brasil, mesmo muito aquém da excelência indispensável, tornou-se um privilégio das classes mais favorecidas economicamente. No nordeste brasileiro, onde a distribuição de renda é extremamente concentrada para determinados grupos, esse privilégio configurou-se ainda mais restrito. Ou seja: a educação de qualidade, geralmente oferecida pelo sistema de ensino, se destina a poucos. Muito poucos.
À educação pública atribui-se diversos níveis de importância estratégica para o desenvolvimento, pelos governos federais que se sucederam desde então; foram implementadas experiências socialistas, integralizantes, assistencialistas, e outras menos visíveis. Ao mesmo tempo, as condições de ensino e da qualificação do corpo docente atingiram níveis críticos de eficiência. Esse conjunto de fatores, atuando continua e aleatoriamente ao longo de quase meio século, transformou a educação pública no Brasil em uma gigantesca linha de montagem de alfabetizados-mecânicos – os analfabetos funcionais.
Estabeleceu-se assim um abismo entre a qualidade da educação pública e a qualidade da educação privada, ainda que esta também se mantenha distante dos padrões ideais de eficiência, com algumas exceções aqui e ali. O resultado desse painel dramático está hoje nas ruas, na criminalidade, na violência urbana, na ausência de ética e na pouca qualificação dos profissionais, além de diversos outros fatores restritivos à evolução de uma sociedade mais justa.
Nesse contexto, o vestibular tornou-se um indicativo gritante da desigualdade em que mergulhamos. Diversos estudos desenvolvidos no Brasil buscam apontar causas e soluções para a situação, sem chegar a lugar algum, pois ainda é impossível, na configuração do país, desvincular a qualificação da condição social. Apresentamos em seguida alguns trechos de três estudos realizados por instituições em diferentes estados brasileiros sobre o vestibular, mostrando diagnósticos semelhantes em apontar sua capacidade de exclusão para os menos favorecidos e oriundos de escolas do sistema público. Os grifos são nossos.
O objetivo deste estudo foi investigar
a importância atribuída pelos alunos do Ensino Médio ao ingresso na educação
superior. A amostra foi composta por 659 alunos da terceira série do Ensino Médio
de oito escolas públicas (50,1%) e particulares (49,9%) da cidade de Porto
Alegre (RS), de ambos os sexos (54,8% de moças e 45,2% de rapazes) e com idades
entre 15 e 23 anos (M=16,8; DP=0,85). Os resultados indicaram que 86,2% dos
jovens pretendem prestar vestibular depois da conclusão do Ensino Médio. Não
foram encontradas diferenças significativas entre sexos, mas foram encontradas diferenças significativas entre tipos de escola
(pública e particular) e nível de escolaridade parental (Fundamental, Médio e Superior). Os resultados confirmam a educação superior como uma alternativa
praticamente isolada para os alunos de escolas particulares que chegam ao final
do Ensino Médio.
Mônica Sparta e William B. Gomes
Universidade Federal do Rio Grande do Sul,
Porto Alegre - dez. 2005
Quanto
ao perfil dos classificados, os dados do concurso 1997/1998 indicam que 74,8%
concluíram o Ensino Fundamental em escolas particulares. Naquele ano, os
candidatos originários das escolas particulares representavam pouco mais da
metade (58,6%) do total de inscritos, mas ocuparam quase três quartos das vagas
oferecidas. Com relação aos egressos das escolas públicas municipais,
observa-se o oposto: sua participação entre os classificados (12,6%) é bem
menor do que no total de candidatos (31,3%). Assim, é possível supor que quem conclui o Ensino Fundamental em
escolas públicas municipais tem menor possibilidade de classificação no
concurso e, portanto, de ingresso no Cefet-RJ. Tinha, pois, razão aquela
funcionária que, no simples olhar aos candidatos, dizia: "Esse passa...,
esse não passa...."
Ana Margarida de Mello Barreto Campello
Pedagoga. Especialista
O que as pesquisas indicam é que a condição socioeconômica do estudante
interfere fortemente nas suas chances de aprovação no vestibular. Para
mensurar a condição socioeconômica do estudante, foi criado um indicador, denominado
Fator Socioeconômico – FSE —, que combina aspectos de sua trajetória escolar com
o padrão de renda familiar, bem como o nível de instrução e o tipo de profissão
de seus pais. A escala FSE varia de zero a dez, e quanto maior o seu valor,
melhor a condição socioeconômica do estudante. O que se observa é que a chance
de aprovação cresce exponencialmente com a condição socioeconômica, sendo cerca
de sete vezes maior para o estudante com FSE dez do que para o estudante com
FSE zero. (...) A escola E6, escola privada, atende a estudantes de classe
alta. O valor médio do FSE de seus estudantes é de 8,7, em um máximo possível
de 10. Estudantes com essa característica tiveram mais de 14%
de chance de aprovação. No entanto,
os alunos da escola E6, pública, têm apenas 7,7% de chance de aprovação. Ou
seja, a escola E6, pública, influenciou negativamente a chance de aprovação de
seus estudantes no vestibular. A escola E1, escola técnica municipal do
interior do Estado, tem um alunado típico das classes sociais mais
empobrecidas. O FSE médio de seus estudantes é de 1,2. Estudantes com tal
característica tiveram 3,7% de chance de aprovação. Mas os estudantes da escola
E1, privada, com alunado típico das classes sociais mais favorecidas, tiveram 16% de chance de aprovação.
Professor Mauro
Braga
Coordenador do Centro de Estudos Sobre
Educação Superior e Políticas Públicas (Cespe), da UFMG, Estudo Escolas do Ensino Médio e
Chances de Aprovação no Vestibular UFMG - 2003
O que podemos ver então, sem qualquer dúvida, diante de nossos olhos de cidadãos atônitos com o ambiente Brasil e decididos a contribuir de alguma forma para a superação de alguns obstáculos é que o vestibular, seletivo em sua essência, torna cada vez mais restrito o acesso aos patamares favoravelmente inclusivos do conhecimento, para candidatos de fraca condição socioeconômica e que concluem o Ensino Médio em escolas da rede pública.
Seja pelas linhas tortas nas quais Deus costuma escrever certo, seja pela linha rigorosamente científica de Darwin.
HISTÓRICO: O PROJETO QUE IRIA CRIAR UM PROBLEMA
Penildon Silva Filho, Pedagogo com Mestrado em Educação, percebeu com clareza, profundidade e apreensão o cenário socioeducacional descrito na abertura deste case. A organização não governamental que ele dirigiu, nasceu em 11 de novembro de 1998, criada por jovens da classe média soteropolitana, preocupados com o compromisso social. A Instituição foi pensada para desenvolver projetos que interviessem ativamente no exercício da cidadania popular, na área da Educação, Cultura, Comunicação Social, geração de emprego, renda e combate à pobreza, pelo desenvolvimento sustentável e pela promoção da ética, paz e equidade.
A primeira Assembléia Geral da ONG elegeu os jovens Penildon Silva Filho, Vitor Sarno e Tatiana Menezes como Diretores da Instituição. A Oficina de Cidadania tem atualmente definida, como missão, desenvolver trabalhos de educação para a cidadania junto à juventude, com foco principal na democratização do acesso ao ensino de boa qualidade para jovens pertencentes ou oriundos de famílias de baixa renda. Esta proposição, aliada ao vasto conhecimento e visão do tema Educação, garantia-lhe a visão crítica apurada e o senso de percepção da extensão dos prejuízos causados pela situação.
Decidido a interferir de alguma forma no processo cada vez mais excludente de seleção para o público a que se destinava, Penildon Filho e a equipe da Oficina de Cidadania, formataram , em 2000, o projeto Pré-Vestibular Gratuito Oficina de Cidadania e o apresentam ao Ministério da Educação através do sistema PIC-Projetos Inovadores de Curso.
O Regimento do projeto deixava
claro que “não haverá preferência partidária, religiosa ou ideológica de
qualquer espécie, cumprindo a Oficina de Cidadania com os princípios da legalidade,
impessoalidade, moralidade, publicidade, economicidade e eficiência.” Ele
previa ainda a “adoção de práticas de gestão administrativa, necessárias e
suficientes a coibir a obtenção, de forma individual ou coletiva, de benefícios
ou vantagens pessoais, em decorrência da participação no respectivo processo
decisório.”
O projeto definiu um curso pré-vestibular gratuito com duração de nove meses a contar da data da aula inaugural, destinado aos alunos oriundos de famílias de baixa renda, concluintes ou em conclusão do Ensino Médio em escolas públicas da rede estadual, respeitando diferenças culturais, de etnia, de gênero e outras capazes de inserir cidadãos em grupos socialmente excluídos.
O objetivo primário do projeto era preparar esses estudantes para a realização de processos seletivos (vestibulares e concursos) com aumento efetivo da probabilidade de sucesso.
Os objetivos secundários, porém de igual importância institucionalmente, são promover o fortalecimento da auto-estima desses jovens; preparar cidadãos que assumam uma atitude crítica em relação às desigualdades sociais; formar jovens agentes multiplicadores que possam contribuir com a transformação da realizada social em que estão inseridos; valorizar a diferença como elemento primordial para o desenvolvimento do ser humano e o respeito aos Direitos Humanos individuais, coletivos, políticos e sociais.
Com isso, o projeto buscava ir além do êxito no processo seletivo do vestibular e valorizar o conceito de democracia como caminho para o alcance da felicidade humana, coletiva ou individual, estimular a atuação em grupo como forma politicamente correta de superação dos obstáculos sociais e alcance de objetivos, além de promover a autonomia de reflexão, pensamento crítico e iniciativa.
O Pré-Vestibular Gratuito Oficina de Cidadania teve sua estrutura desenhada, grupos de professores e outros funcionários voluntários definidos, uma parceria formalizada com a Universidade Federal da Bahia para uso de estrutura física, um projeto pedagógico cuidadosamente estruturado e contemplando as diversas áreas de conhecimento avaliadas nos processos seletivos.
Aprovado pelo Ministério da Educação, o Pré-Vestibular Gratuito Oficina de Cidadania estava pronto para ser implantado e iniciar sua tarefa social.
Assim, em
Divulgado junto ao público-alvo através de um trabalho de comunicação realizado pelos próprios gestores, com o apoio de folhetos e cartazes simples, o Pré-Vestibular Gratuito Oficina de Cidadania teve um sucesso e aceitação absolutos.
A iniciativa da equipe da Oficina de Cidadania mostrava ter atingido em cheio o público-alvo e localizado precisamente uma carência monumental.
Para que fosse possível fazer uma real seleção de alunos, sem que houvesse qualquer forma de injustiça, exclusão ou favorecimento, atingindo assim o seu objetivo de cidadania e eqüidade, a Oficina de Cidadania solicitou à Consultec uma orientação para a seleção de candidatos.
Os estudantes de baixa renda e alunos de escolas da rede pública perceberam no projeto a sua grande oportunidade de superar o enorme obstáculo do vestibular e tentar o caminho da inclusão social através da qualificação. Assim, apresentaram-se imediatamente como candidatos a uma vaga para o projeto. Este resultado fez do Pré-Vestibular Gratuito Oficina de Cidadania uma ação social de enorme importância, um sucesso e o começo de um problema que o tempo iria revelar.
Problema? Exatamente isso. O Pré-Vestibular Gratuito Oficina de Cidadania foi formatado e aprovado para um máximo de 200 alunos, divididos em 2 turmas de 100, com duração de nove meses de aulas para cada turma. A aceitação por parte da juventude socialmente carente tornou-se crescente a cada ano até que, em 2005, gerou uma demanda extremamente elevada, muito acima da capacidade de absorção oferecida pela Oficina de Cidadania e do número de vagas ofertadas pelo projeto.
Tratava-se de um problema de considerável dimensão e que se revestia de uma imensa carga de responsabilidade junto a uma comunidade que, já bastante castigada pela configuração social, vinha há alguns anos enxergando no Pré-Vestibular Gratuito Oficina de Cidadania uma oportunidade única de trilhar o caminho árduo da inclusão.
Depois de todo o esforço da equipe da Oficina de Cidadania para formatar um projeto que contemplasse a real possibilidade de inclusão social de jovens de baixa renda, por meio do vestibular, efetuar a sua implantação e obter significativos resultados, a organização não poderia permitir que seu projeto se transformasse numa barreira similar àquela que pretendia enfrentar.
Desde a primeira turma até o momento em que aconteceu a demanda excedente, os jovens alunos do Pré-Vestibular Gratuito da Oficina de Cidadania haviam conseguido índices satisfatórios de aprovação nos vestibulares sempre próximos de 50% por turma, todos os anos.
Com capacidade aprovada pelo Ministério da Educação para a formação de duas turmas de 100 alunos cada, a Oficina de Cidadania não poderia, a partir de então, utilizar métodos casuais ou aleatórios de formação das turmas, usando critérios, como “os primeiros a se inscreverem” ou “os que apresentarem atestado de pobreza” ou “os mais visivelmente afro-descendentes”, nem qualquer outro método desvinculado dos seus propósitos.
Era um problema, sim. Entre Darwin e Deus, a Oficina de Cidadania teria que ficar com os dois.
Não havia muito que ficar revolvendo em pensamentos. Era visível e obviamente necessário contar com a participação em profundidade de alguém ou de alguma organização especializada em processos seletivos, capaz de enfrentar esse desafio. Mais ainda: esse técnico ou essa empresa teriam necessariamente que se dispor a trabalhar gratuitamente, pois no projeto Pré-Vestibular Gratuito não havia previsão dessa natureza de investimento.
O PROBLEMA DA OFICINA DE
CIDADANIA: DEMANDA
Quando se está decidido a interferir num processo reconhecidamente agravante de uma configuração social injusta, qualquer desafio que surge é enfrentado como apenas mais um obstáculo. Foi assim que Penildon e Anderson(atual Diretor de Articulação do Projeto) enxergaram o problema surgido em 2005 com a superdemanda pelo Pré-Vestibular Gratuito. E se era indispensável buscar orientação e consultoria para solucionar a questão, que se procurasse a mais competente possível.
Até porque uma multidão de jovens de condição socioeconômica adversa, saindo de escolas públicas que não os qualificaram suficientemente e sem recursos para complementar essa qualificação, aguardava ansiosamente o momento de começar a primeira aula do pré-vestibular.
Portanto, uma série de questões, entretanto, enfileiravam-se diante dos olhos de Penildon, Anderson e de toda a equipe da Oficina de Cidadania, tornando essa busca extremamente difícil e criteriosa. Eles já contavam com a parceria da CONSULTEC no sentido de orientá-los corretamente em relação a sistemas seletivos mais simples. Mas o problema agora era maior, bem maior.
Quem teria experiência e competência para desenvolver uma solução de seleção justa e humana?
Quem estaria disposto a unir forças com a Oficina de Cidadania e fazer esse trabalho como uma contribuição para uma sociedade melhor, apostando no futuro em longo prazo do Ambiente-Nação em que estamos todos envolvidos?
Quem dedicaria o seu patrimônio intelectual e a sua expertize adquirida ao longo de anos de trabalho para – gratuitamente - ajudar um jovem pobre a enfrentar um vestibular com reais chances de ser aprovado?
2005. O PROBLEMA DA CONSULTEC: FAZER O PROJETO CONTINUAR SENDO UMA SOLUÇÃO INCLUSIVA, MESMO COM A SELEÇÃO.
Procurada pela Oficina de Cidadania,
em
Como identificar entre a massa excedente de candidatos ao
pré-vestibular gratuito aqueles com perfil adequado aos objetivos do projeto?
Como fazer mais um “processo seletivo”, sendo este aplicado antes mesmo
do processo seletivo definitivo e objeto de sonho de todos os candidatos: o
vestibular?
Como selecionar sem criar uma nova forma de exclusão entre os já
excluídos?
Como selecionar sem permitir que exista a mínima suspeita de
beneficiamento de um ou outro candidato?
Havia ainda uma outra questão de alta relevância:
Como elaborar um programa seletivo de “acesso” de candidatos ao Pré-Vestibular Gratuito da Oficina de Cidadania e isentar-se completamente da “saída” desses selecionados para os diversos vestibulares, blindando e preservando sua imagem como entidade profundamente ligada ao processo de elaboração e realização de vestibulares?
Atuando no setor de Educação desde 1991, como empresa de consultoria, a CONSULTEC, nestes mais de 15 anos de trabalho, conquistou uma sólida reputação no mercado, os mais importantes clientes em todo o país e tornou-se referência no que se refere ao processo de vestibular.
Desenvolvendo assessoria para instituições de Ensino Fundamental, Médio e Superior, a CONSULTEC construiu uma marca forte na implementação e desenvolvimento de projetos específicos para a área de educação. Suas equipes de trabalho atuam sintonizadas com um único objetivo: realizar de forma especializada e competente projetos educacionais, concursos e processos seletivos.
Em relação ao desenvolvimento de projetos, a CONSULTEC, além de interpretar as idéias e planos dos clientes, se antecipa a demandas ainda não percebidas pelas instituições e elabora projetos pedagógicos para
· implementação de cursos e credenciamento de instituições de ensino
· educação a distância, educação ambiental e gestão estratégica
· programas de educação continuada e programas de extensão
· projetos de avaliação e pesquisa
· implantação de soluções inovadoras na área educacional
· avaliação institucional
· implantação de ONG’s e fundações
Na área de seleção e avaliação, a CONSULTEC desenvolve ações de criação de diretrizes para os projetos, realizando serviços de
· planejamento e execução de processo seletivos, seleção pública e concursos
· concurso vestibular e concurso público
· processos seletivos para transferência de cursos
· processos seletivos para pós-graduação-residência médica
· projetos de avaliação educacional
· consultoria em medidas educacionais
· avaliação e construção de modelos seletivos
· criação, personalização e leitura ótica de formulários
· correção de questões de redação/discursiva e apuração de resultados
Além disso, a CONSULTEC realiza também Consultoria em Gestão, com
· desenvolvimento de projetos de reconfiguração organizacional
· aprimoramento de processos organizacionais
· planos de cargos e salários e planejamentos estratégicos
Entre seus clientes, estão instituições governamentais ou
privadas, da mais alta relevância no setor educacional, em todo o Brasil, desde
uma escola privada
Sim, a CONSULTEC estava capacitada a enfrentar esse desafio, mesmo sendo ele muito mais complexo que qualquer outro já enfrentado, pois se tratava de lidar com o resgate dos sonhos e da auto-estima de grupos de jovens já bastante marcados pela vida e suas circunstâncias.
O apelo feito pela Oficina de
Cidadania em 2005 representou, para a CONSULTEC, não apenas mais um desafio
profissional, mas principalmente uma enorme oportunidade de mostrar, na prática,
um pensamento que sempre norteou suas atividades: “A educação não somente o nosso assunto predileto, mas também o
veículo com o qual realizamos desejos, transformando-os em realidade.”
Porém, não havia tempo a perder. Mais uma turma de estudantes estava ansiosa para começar o seu curso pré-vestibular, coisa que jamais imaginaram ser possível, em função de suas condições socioeconômicas e escolar.
A formulação exata do que havia para ser resolvido era “a adoção de medidas para a profissionalização da seleção de estudantes, utilizando processos inquestionáveis”. Como fazer isso era a premissa urgente, desafiadora e emocionante. Tudo o que fosse pensado e proposto a partir dali deveria assegurar a isenção, a credibilidade e a cientificidade das ações assumidas, para que a democratização do acesso se efetivasse na oferta de um processo de inserção social com resultados comprovados.
A CONSULTEC iria trabalhar para atender às ansiedades de um grupo cujo perfil apresentava características bem marcantes, diferenciadas do perfil geral do universo de candidatos a vestibular que apresenta como características primordiais:
Grande parte da
população é formada por jovens, oriundos da rede pública de ensino. A
procedência dos candidatos é eminentemente da zona urbana. Um pequeno
percentual já se encontra inserido no mercado de trabalho, com vínculo
empregatício recente. A renda familiar está concentrada em até 05 salários
mínimos e menos que 6% dos candidatos contribuem de alguma forma com o sustento
da família. O acesso à Internet já é uma
realidade para a mais de 90% dos candidatos, sendo que cerca de 45% acessam a
rede da própria residência, segundo declarado.
Aproximadamente 60%
dos candidatos se consideram afro-descendentes, com procedência étnica mestiça
e de cor parda. A televisão e a Internet foram os meios mais apontados pela
clientela para se manterem informadas. O
tempo livre é utilizado com leitura, atividades religiosas, esporte e música.
No que diz respeito
aos aspectos de desempenho, observa-se ter a população um nível mediano, sendo
que as maiores médias foram alcançadas na área de Linguagem e das Ciências
Humanas.
Esse é o perfil genérico dos candidatos a um vestibular na Bahia. O público a ser selecionado pela CONSULTEC para cursar o Pré-Vestibular Gratuito da Oficina de Cidadania vinha da rede de escolas públicas (100%), estava fora do mercado de trabalho ou no mercado informal, possuía renda familiar inferior a 2 salários mínimos, em sua enorme maioria não tinha acesso à internet e apresentava um desempenho escolar abaixo do mediano. Um grupo em situação de real fragilidade socioeconômica, familiar e educacional.
Com um olho em Deus e outro em Darwin, a CONSULTEC debruçou-se sobre a questão e começou a traçar sua linha de ação.
SOLUÇÃO:
AMPLIAR O FOCO SELETIVO, HUMANIZANDO-O.
A CONSULTEC tinha plena
consciência de que precisava também – e
incondicionalmente — trabalhar o aspecto
emocional dos candidatos estudantes, minimizando os efeitos ou evitando que
entre os não-selecionados surgisse um sentimento recorrente de exclusão.
A valorização do grupo
de estudantes, em situação de vulnerabilidade socioeconômica e educacional não
estaria simplesmente na possibilidade de cada um deles se colocar entre os selecionado,
mas principalmente na sua qualificação como cidadão-candidato e a
partir desta, na aceitação democrática da premissa de que nunca todos podem
ocupar ao mesmo tempo, o mesmo lugar no espaço.
Esta aceitação traria
junto com ela a percepção de que as portas permaneceriam abertas e a não inclusão na
turma de um ano significava apenas a espera pela formação da próxima turma e
nunca mais a certeza de estar fora do
processo.
Esse desafio foi traduzido pela CONSULTEC considerando a possibilidade de a seleção identificar indivíduos comprometidos com o seu autodesenvolvimento e com o desenvolvimento do grupo.
Foi desenvolvida uma campanha de comunicação, com o objetivo de
posicionar o pré-vestibular gratuito como um vetor de inclusão,
independente dos resultados a serem obtidos pelos alunos.
A Assessoria de Comunicação da CONSULTEC criou uma rede de parceiros que se sensibilizaram com a causa, criando assim um admirável suporte na área de comunicação. A agência parceira elaborou uma campanha publicitária completa e uma gráfica parceira produziu todas as peças gráficas sem qualquer custo para a Oficina de Cidadania. A parceria com uma assessoria de imprensa resultou em mais de 25 matérias veiculadas em jornais locais e portais eletrônicos, também sem qualquer custo.
Projeto.
Os pressupostos básicos do Modelo
de Seleção criado para o Projeto Oficina
de Cidadania estão relacionados com o que é preconizado pela Lei de
Diretrizes e Bases/96 em relação ao Ensino Médio, no que diz respeito às
finalidades principais da Educação Básica, possibilitando ao educando o
prosseguimento dos estudos, a preparação básica para o trabalho e o seu
aprimoramento como pessoa humana, incluindo a formação ética, o desenvolvimento
da autonomia
intelectual e do pensamento crítico e a compreensão dos fundamentos
científico-tecnológicos dos processos produtivos, relacionando a teoria com a
prática, em cada área do conhecimento. Com esse desenho, propõe-se a
valorização do idioma nacional e a investigação de competências e habilidades
relacionadas ao posicionamento crítico reflexivo por parte dos candidatos,
frente aos problemas do cotidiano local e global.
5.
Atender a comunidade formada pelo público-alvo
presencialmente e
através da montagem de um call
center especializado.
Levando em consideração o perfil
da clientela, principalmente pelo fato de muitos nunca terem realizados
processos seletivos, a CONSULTEC realizou
um trabalho de preparação especial do seu grupo de atendimento de telemarketing,
para lidar com o público com total princípio de orientação, buscando
incentivá-los a participar do processo seletivo
(técnicos, fiscais, gestores e
consultores) e fornecedores de serviços para
estabelecer parcerias necessárias ao
atendimento do projeto.
Fazer o bem faz bem. Mais uma vez a
teoria de Darwin se fez presente. A
cooperação entre pessoas e grupos tem se mostrado uma vantagem evolutiva, pois
indivíduos que cooperam entre si têm mais chance de vencer
adversidades e sobreviver. Dessa forma, pôde a CONSULTEC, além de atingir o seu
objetivo precípuo, reforçar no seu
ambiente de trabalho as ligações afetivas e o engajamento dos seus
colaboradores e fornecedores em causas comuns, restaurando o sentimento de
fazer parte de um grupo, sendo essa uma necessidade humana.
os gestores do projeto na
condução acadêmica das ações de ensino e
favorecendo o alcance dos objetivos
definidos.
Em sua apresentação do modelo de seleção a CONSULTEC enfatizava:
“A presente proposta considerou a expectativa da organização Oficina de Cidadania que se traduz pela adoção de um modelo de seleção capaz de identificar alunos do Ensino Médio oriundos da rede pública de ensino e que demonstrem perfil adequado aos princípios da organização, com vista a possibilitar para esses alunos condições de acesso ao Ensino Superior, através da oferta de curso pré-vestibular gratuito e de qualidade. Foram considerados também para a construção do Modelo de Seleção, as discussões com os gestores da organização Oficina de Cidadania e os contextos sociopolítico, econômico e educacional locais.”
Correndo contra o tempo, a CONSULTEC implantou toda a logística necessária, convocou e treinou voluntários, estabeleceu as parcerias indispensáveis, elaborou a concepção material do processo seletivo e finalmente levou-o à prática.
RESULTADOS: O PROJETO GANHA CIENTIFICIDADE E TODOS
SE SENTEM INCLUÍDOS.
A grandiosidade dos resultados obtidos pela Oficina de Cidadania, a partir do trabalho desenvolvido pela CONSULTEC, não encontra sua maior expressão nos números, dados ou percentuais disponíveis. Estatísticas são frias e conclusivas. O trabalho da CONSULTEC não tinha números como metas e sim a recuperação da esperança, a conquista do conceito de cidadania e a percepção de que - em algum lugar - o respeito ao jovem de baixa renda como ser humano co-responsável pelo nosso futuro existe.
Esses resultados foram plenamente alcançados e estão em andamento no exato momento em que este case está sendo lido. Os jovens, não importando o ano ou a turma em que foram selecionados, sentiram-se, pela primeira vez, valorizados e importantes no complexo processo de formação de uma nação que mereça esse título. Bastaria isso para nos dar a sensação do dever cumprido e força suficiente para prosseguir com o trabalho iniciado.
Porém, conquistas emocionais são subjetivas e, portanto, sujeitas às variáveis de interpretação e níveis de comprometimento de quem as avaliam. Assim, buscamos traduzir em resultados palpáveis aquilo que de verdade representa uma vitória da cidadania e da brasilidade em seu mais nobre sentido.
02. O call center montado pela CONSULTEC recebeu e prestou atendimento a uma média de 5 mil chamadas para cada turma a ser formada anualmente.
04. Em 2006, a Oficina de Cidadania conseguiu estabelecer o convênio de nº 043/2006 com o Ministério da Educação, através da SECAD-Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade, obtendo com esse convênio recursos para a aquisição de materiais didáticos e material de consumo pedagógico-administrativo, além da capacitação inicial de pessoal docente, de apoio e coordenação, com base na Lei 10.639. O convênio União/MEC e Oficina de Cidadania garantiu a sustentabilidade do projeto após a configuração que ele recebeu, formatada pela CONSULTEC, a partir de 2005.
05. Para a efetivação do convênio e obtenção do apoio do Ministério da Educação, foi indispensável comprovar a elevada demanda por parte dos alunos da rede de Escolas Públicas do Estado, sendo que do total de candidatos freqüentemente mais de 51% eram afro-descendentes.
06. Desde a sua primeira turma até 2007, já com o processo de seleção desenvolvido pela CONSULTEC em plena operação, 17.211 alunos do sistema público inscreveram-se para o Pré-Vestibular Gratuito, sendo que 1.735 ingressaram nas turmas ofertadas.
07. Os alunos atendidos pelo projeto passaram a candidatar-se para a monitoria do Pré-Vestibular Gratuito. Hoje dezenas de ex-alunos realizam a gestão e monitoria do curso e do processo seletivo, dando continuidade à metodologia criada e aplicada inicialmente pela CONSULTEC. Esse princípio de transformação que converte ex-alunos em monitores representa um “contágio” de tomada de consciência da cidadania, tão ou mais importante quanto os dados numéricos apresentados.
08. Alunos
que foram selecionados e que participaram do Pré-vestibular e foram aprovados
em diversos vestibulares a que se candidataram,
hoje atuam como Gestores do projeto, em áreas de sua ação acadêmica.
Lucas Fernandes, por exemplo, aluno da turma de 2003 e formando em Química pela
UNEB, é professor de Química do Projeto.
Taecia Rubia dos Anjos Bispo, aluna também da turma de 2003 e estudante
de Serviço Social da UCSAL, é Assistente Administrativa do Projeto. Gledson Paiva, aluno da turma de 2005 e
atual estudante de Matemática na UFBA, é monitor de Matemática do
Pré-Vestibular Oficina de Cidadania. Esses dentre tantos jovens são uma prova
viva de que a inclusão social buscada pela Oficina de Cidadania/CONSULTEC não
se encerra na maior possibilidade de
aprovação num vestibular, apenas se inicia, formando cidadãos
conscientes da sua responsabilidade social, dispostos a repassar a experiência
conquistada para os que estão chegando.
09. O efeito referencial de inclusão social e de formação de uma rede participativa surgido no contexto do Pré-Vestibular Gratuito da Oficina de Cidadania pode ser orgulhosamente confirmado pela iniciativa dos próprios alunos em replicar o projeto em outras comunidades. Alguns dos alunos das turmas de 2005 criaram o Projeto Olimpo, nos mesmos moldes e princípios do Pré-Vestibular Gratuito Oficina de Cidadania e o implantaram no Município de Candeias, cidade em que residiam. Hoje o Olimpo Pré-Vestibular Gratuito também atende a 200 estudantes de Candeias, saídos da rede pública de Ensino Médio e sem condições econômicas de cursarem um pré-vestibular e melhor ainda; sem a necessidade de se deslocarem até Salvador para freqüentar o pré-vestibular gratuito da Oficina de Cidadania.
10. Os alunos das turmas de 2006, por sua vez, criaram o Projeto Reforço Escolar, batizado de GAPECC - Grupo de Ação para Promoção Educacional Científico Cultural, promovendo e aplicando projetos de reforço escolar gratuito, em diversas escolas públicas do Estado. Foi uma alternativa encontrada por eles para contribuir no sentido da qualificação de estudantes em situação de desvantagem socioeducacional, para levá-los à inclusão social através do pré-vestibular.
11. Em
12. Ainda como forma de acompanhar e fazer incluir o
público-alvo no processo de evolução tecnológica e de comunicação, a CONSULTEC
dispôs-se, também em
Não foram somente os estudantes selecionados para o Pré-Vestibular Gratuito da Oficina de Cidadania ou aqueles que conseguiram aprovação nos vestibulares existentes os beneficiados com o trabalho desenvolvido. Seus familiares, sua comunidade, seu grupo social, todos saíram ganhando. Também os não-selecionados num determinado ano, mesmo assim partilharam dos benefícios existentes e os dividiram também com seus grupos de convivência. Os depoimentos que se seguem mostram isso com as palavras de quem já imaginava selado seu destino, com mais um brasileiro excluído.
Sou funcionária da Empresa Baiana de
Alimentos — EBAL — e exerço cargo de Auxiliar de Operações, onde faço trabalhos
na administração, porém a remuneração é muito precária, fator pelo qual não consigo
fazer uma pré-vestibular pago. Com a possibilidade de um curso pré-vestibular
gratuito, com a dificuldade financeira em que me encontro e com a audiência que
todos os sábados nos oferece, houve uma motivação muito grande para fazer o
Oficina de Cidadania; pena que não passei. Mas, foi muito positivo o prazer de
estar concorrendo com milhares de pessoas, o bom relacionamento com os alunos e
com as pessoas que estão responsáveis por este trabalho. Ele contribuiu para que eu reconheça que,
apesar de estar com 41 anos, não é tarde para enfrentar uma sala de aula, onde
muitos estão tendo condições e jogando na lata do lixo.
Jacira
Barbosa Celes – Candidata não-selecionada em 2006
Tenho 35 anos, sou casada, tenho dois
filhos, um menino de 15 anos e uma menina de 12. Moro no bairro do Engenho
Velho da Federação
Márcia Dedélica
Franco Magalhães
– Aluna atual do Pré-Vestibular Gratuito
Eu moro em Lauro de
Freitas Itinga desde quando eu nasci, e a medida que fui crescendo percebi que
o meu município foi crescendo economicamente. A violência está em todo
lugar, e antes de ter a delegacia na Itinga a violência era maior, tinha mais
crimes: assaltos e assassinatos. Mais mesmo assim, com delegacia, a violência
ainda é grande. Tive a grande oportunidade de participar do oficina em 2006.
Deixou muitas saudades. Chequei desacreditada de mim mesma. Mais graças aos
incentivos dos maravilhosos professores e colegas de sala, pude constatar o
grande valor de ter participado desse maravilhoso curso pré-vestibular. Esse
curso me proporcionou uma grande felicidade de ter conseguido passar
no vestibular da UFBA. Escolhi um curso moderno e excelente que a maioria das
pessoas desconhece: Arquivologia. Por eu morar distante do cursinho,
enfrentei riscos de assaltos tarde da noite quando ia para o ponto de
ônibus, mais graças a Deus correu tudo bem. Aprendi a incentivar os meus
familiares graças as boas motivações positivas proporcionadas pelo cursinho.
Estou gostando muito e vejo que é apenas o começo, e que os horizontes
abriram as portas de garantia para um futuro promissor, com fé em
Deus.
Joelma Oliveira Gonzaga, 31 anos – Aluna
da turma de 2006
Moro no bairro de Boa Vista do
Lobato, periferia da cidade de Salvador, onde a realidade é cruel com
seus moradores, pois poucos tem acesso a educação, saúde e demais necessidades
inerentes ao ser humano. Cursei o Oficina de Cidadania no ano de 2002 como
aluno e 2003 na condição de monitor. Posso afirmar que o curso Oficina de
CIdadania mudou minha vida tanto intelectualmente , quanto financeiramente, ao
ponto que possibilitou-me ingressar na UFBA, no curso de Educação Física.
Entrar na UFBA não foi tarefa fácil, tive que me dedicar e romper barreiras
muito rígidas quanto a questão psicológica e financeira. Não acredita muito em
meu potencial, e minha realidade socioeconômica me levava a desistir a cada
momento, porem os amigos, professores e a minha família me incentivaram e
consegui ultrapassar um obstáculo. Atualmente estou no 8º semestre de Educação
Física da UFBA, prestes a concluir a graduação e trabalhando na área, o que é
muito importante.
João Kleiton Oliveira Nunes – Ex-aluno
Cheguei em Salvador em 2000, vinda do
interior para trabalhar e tinha planos de voltar a estudar. Conclui o meu segundo grau em 1997, e até conhecer
a Oficina de Cidadania, não havia tido a oportunidade de estudar por falta de
condições financeiras. Surpreendi-me ao ver-me aprovada, e fiquei muito feliz
por isso, a partir daí novas portas foram abertas. Hoje curso o 6º semestre de
Administração de uma faculdade particular, onde sou bolsista do Faz
Universitário. Todas as informações referentes à aquisição da bolsa foram
disponibilizada no Oficina, onde encontrei pessoas amigas e profissionais
eficientes e dedicados. Foi lá que os sonhos começaram a virar realidade.
Dificuldades existiram as financeiras, as pessoais, e muitas outras, porém
superadas com força de vontade. Em suma, o Oficina para mim, e para muitas
outras pessoas que tem o privilégio de participar deste grupo, foi e é uma
escola que contribuiu muito para minha vida pessoal e profissional.
Clautercleides Santos Lima, 29 anos – Ex-aluna
Hoje estou com 22 anos, continuo morando em
Alto de Coutos. Alto de Coutos É um dos bairros mais pobres do subúrbio
ferroviário de Salvador. Sua realidade socioeconômica é bastante pobre e
necessita de maior a atenção dos nossos governantes. Cursei no Oficina em 2003,
um dos melhores anos da minha vida. O processo seletivo pelo qual passei para
estudar no Oficina foi bastante fácil, prova fácil e que não exigia muito do aluno, o que era
muito bom, pois favorecia aquele que queria aprender mesmo, ou seja, método de seleção que iria escolher
as pessoas que precisavam mesmo de um curso bom e gratuito. Graças a Deus e o
Oficina eu tive onde estudar e me preparar para entrar na universidade, hoje
posso esperar mais de mim e da
sociedade, pois sei que posso muito ajudar a melhorar o mundo ou a nossa
realidade. Atualmente não participo de nenhum movimento social, mais sei o
quanto os projeto de mobilização social são importantes para nossa realidade de desigualdade e má
distribuição de renda. O Oficina foi a porta de entrada para a universidade, e
este era o meu principal desafio no curso pré-vestibular. Hoje minha maior
dificuldade é entrar no mercado de trabalho e atuar na minha área de
conhecimento, que é o Urbanismo.
Adilza
Graciele Gonçalves Mattos – Ex-aluna
O Projeto Oficina de Cidadania foi o
caminho que se abriu para que eu pudesse trilhar a turbulenta estrada rumo ao
ensino de nível superior. Em 2005, fiz a primeira tentativa, foi difícil, pois
havia uma lacuna de 12 anos sem contato com os livros, com um ambiente de
estudo. O objetivo era estudar numa faculdade pública ou numa particular
através do PROUNI. Não fui bem sucedido. Em 2006, consegui novamente uma
oportunidade para fazer parte do seleto grupo de pré-vestibulandos do Curso
Oficina de Cidadania. Desta vez tudo ocorreu como o desejado, conquistei uma
boa nota no ENEM e através deste mecanismo fui pré-selecionado para uma bolsa
parcial numa faculdade particular no segundo semestre deste mesmo ano. Não
satisfeito ainda, pois o objetivo era ter custo zero nos estudos, resolvi
tentar novamente o ENEM no final de 2006. Outro sucesso. Consegui bolsa
integral na mesma faculdade que estava cursando. É importante citar a extrema
relevância de participar deste projeto tão grandioso e tão belo que é o
Oficina, um ambiente extremamente positivo, onde dezenas de jovens se reúnem
para celebrar a cidadania.
Gilberto
de Lima Coelho Junior – Candidato não selecionado em 2005 e selecionado em 2006
Conclui o ensino médio no final do ano de
2001, no Colégio da Polícia Militar (CPM – Dendezeiros). Nunca fora submetido a
uma prova final na referida instituição de ensino, o que de alguma maneira me
deixava orgulhoso e confiante, mas os vestibulares da UFBA e da UNEB do
respectivo ano retiraram por completo o meu orgulho e a minha confiança.
Prestei vestibular na UFBA para o Curso de Bacharelado
Ney
Menezes de Oliveira Filho – Advogado e ex-aluno
Sou cristã, estou cursando o Oficina neste
ano de 2007 e passar pelo processo foi tranqüilo e também uma grande
expectativa. O curso Oficina de Cidadania contribui muito com o meu crescimento
de muitas formas, por exemplo: criei muitas amizades, e aprendi muita coisa. Faculdade
ainda não entrei, mas em breve conseguirei, o curso também me ajuda bastante na
parte de responsabilidade com o próprio projeto. Hoje sou colaboradora e
voluntária na administração do curso. Muitas dificuldades surgiram e ainda
assim aparecem até então, dificuldades com a manutenção de transporte. No
momento que eu decidi ingressar no Oficina tive pouco apoio da minha família,
muitos acharam que seria desperdiçar meu tempo, e outros diziam que não iria me
habituar com o horário; somente uma só pessoa, minha irmã, me disse que eu não
iria perder nada com isso e seria um experiência a mais. Para manter-me no
curso, sou “obrigada” a vender lanche para os colegas. Vendo sanduíche natural
e suco, pois o local não há nenhuma possibilidade dos colegas lancharem e é uma
oportunidade de pelo menos ter o dinheiro do transporte. Então é isso o projeto
está sendo uma experiência maravilhosa, problemas existem em todos os lugares, então
eu não iria saber se eu não experimentasse. Posso dizer que está sendo uma
experiência maravilhosa.
Wilma
Raquel – Aluna atual
*Os depoimentos foram editados e reduzidos para facilitar a leitura. Em suas versões completas os alunos, ex-alunos, candidatos não—selecionados, familiares etc. praticamente contam a história de suas vidas. Todos os depoimentos integrais estão disponíveis para apreciação dos jurados, se assim o desejarem. Um deles entretanto, merece ser totalmente transcrito já no contexto neste case. É o que se segue.:
Antes
de conhecer a ONG Oficina de cidadania, em 2003, todos me chamavam de Maicon Cerqueira Santos. Hoje, todos me
conhecem pelo nome Maicon Santos. Há aqueles que ainda me apontam pelo apelido
de He-Man. Vou explicar brevemente (assim tentarei) o motivo da abreviação com
uma boa retrospectiva de minha vida. Um desses dias de fevereiro tão cheio de
marasmo para alguém que acabava de completar os seus estudos secundários,
assistia ao Jornal da Manhã, BA-TV. Praticamente sem ânimo, estava a busca de
um emprego fixo para tentar conseguir humildemente um salário que me permitisse
viver melhor. Mas o que eu esperava ficou adiado para a posterioridade. Ouvi
neste instante um anúncio de uma ONG que oferecia um curso pré –vestibular
gratuito à comunidade carente de Salvador. Fiquei interessado pelo anúncio e
desejei efetuar a inscrição no concurso da Oficina de Cidadania para tentar
conseguir uma das vagas. Porém só encontrei um entrave: a resistência dos meus
familiares, principalmente a da minha mãe. Ninguém tinha confiança no meu taco.
Aliás, ninguém imaginava que eu conseguisse entrar num curso pré-universitário
gratuitamente. Mas era compreensível: pessoas sofridas, moradores de Pau da
Lima a vinte tantos anos... Enclausurada há décadas naquele mundinho do final
de linha, larguinho cheio de lojas para só observar, pessoas desalentadas pelo
cotidiano medonho sempre sentido na pele, não apenas vivenciando o sofrimento,
mas participando ativamente deste... Era tanto desanimador pensar em
universidade e cursinho. Dias após dias arrazoando com Maria (assim como chamo
a minha mãe), ela deu-me 20 reais para inscrever-me no dito concurso. Ela
sempre dizia algo assim: “como eu sei que cursinho é pra rico, você nem na
porta entra. Mas já que as pessoas só aprendem quebrando a cara, então eu
deixarei você quebrar a sua”. Por
fim, no final de março a início de abril, após a realização e a divulgação do
resultado dos aprovados para entrar no curso pré-vestibular, iniciei uma nova
batalha: a do vestibular. Digo batalha porque todos não só duvidavam que eu
passasse num vestibular estilo UFBA, mas prejulgavam-me com anedotas sem graça
a respeito do meu esforço para alcançar uma vaga na universidade pública, com
piadas do tipo: “Pobre não entra na universidade”, “esta criança está
brincando de estudar”, “Maria, acorda. Você não está vendo que seu filho só vai
lhe dar desgosto no futuro?”. Mas,
caminhando e cantando, seguindo a canção consegui uma vaga não somente na
Universidade Federal
O distraído nela tropeçou...
O bruto a usou como projétil.
O empreendedor, usando-a, construiu.
O camponês, cansado da lida,
dela fez assento.
Para meninos, foi brinquedo.
Drummond a poetizou.
Já, David matou Golias e
Michelangelo extraiu-lhes
a mais bela escultura...
Existe uma espécie de charada, desenvolvida como forma de entretenimento, mas que se configura como um teste – ainda que superficial e não científico - de características de personalidade humana. Formula-se a seguinte situação imaginária:
Você está dirigindo à noite,
sob uma tempestade com chuva fortíssima, relâmpago e trovões. De repente, você
se aproxima de um ponto de ônibus à beira da estrada e nele estão
a)
uma senhora idosa que está passando muito
mal com uma crise de
hipertensão;
b)
um dos seus melhores amigos, alguém que
em determinada ocasião
praticamente salvou sua vida;
c)
uma mulher belíssima, exatamente igual
àquela que você sempre
definiu ser a mulher dos seus sonhos.
Mas o seu carro só tem lugar para uma pessoa. Quem você escolheria para tirar da tempestade e transportar em segurança?
A brincadeira segue com a análise da escolha feita pela pessoa, avaliando-se em tese que sentimento – lealdade, solidariedade ou individualidade - predomina em quem responde. A charada saiu do âmbito da brincadeira e se transformou numa espécie de parábola construtiva que corre o mundo, quando ao ser aplicada por um professor em uma sala de aula em Turim, na Itália, recebeu a seguinte resposta de um aluno:
“Eu entregaria o carro ao meu amigo para que ele levasse a velhinha até um hospital e ficaria no ponto de ônibus protegendo a mulher dos meus sonhos até a tempestade passar”.
Mais que uma resposta
surpreendente, o que esse suposto aluno (ninguém sabe se tudo isso é verdade ou
faz parte de uma lenda) revelou, foi que sempre existe uma saída não
excludente para qualquer problema.
Exatamente essa mesma crença norteou a CONSULTEC ao desenvolver o processo seletivo necessário e solicitado pela Oficina de Cidadania. Evidentemente que em se tratando de uma seleção, existiriam os que iriam formar uma turma de alunos e outros que ficariam de fora. Mas esse “ficar de fora” poderia ter uma outra conotação, e isso foi buscado pela CONSULTEC com tanto empenho quanto o de construir uma sistema de seleção perfeitamente ajustado às necessidades da Oficina de Cidadania, porém que contemplasse em profundidade a situação emocional dos candidatos.
Na medida em que todo o projeto se revestiu de importância, agregando não só a marca CONSULTEC, mas diversas outras parcerias e ganhando contornos de cientificidade, os candidatos – todos eles - passaram a se sentir “incluídos” antes mesmo do resultado da seleção. Eles perceberam a importância que estava sendo dada às suas necessidades e aspirações, através do cuidado com que os trabalhos se desenvolviam no sentido de que eles fossem qualificados.
Perceberam também que já haviam sido incluídos num cluster de intenções socioinclusivas que não teria interrupções. Ou seja: a chance de fazer um curso pré-vestibular gratuitamente continuaria sempre existindo, mesmo que, naquele ano específico, ele não conseguisse ser selecionado para uma das turmas. No próximo ano, sua chance estaria novamente esperando por ele.
A “clonagem” do projeto pelas turmas de 2005 e 2006, levando-o para outras comunidades, configura a formação de dezenas de agentes multiplicadores, envolvendo todos os participantes do processo, independente da participação naqueles anos ou em anos anteriores, como ex-aluno monitor.
A transformação de alunos em gestores da Oficina de Cidadania e monitores do Pré-Vestibular Gratuito é outra prova inequívoca da capacidade inclusiva que ele adquiriu após aquilo que pareceu intransponível: o problema de demanda excessiva e a necessidade de um sistema seletivo não-excludente.
Dois depoimentos são emblemáticos deste viés de resultados positivos alcançados pela sistemática aplicada pela Consultec:
Meu nome é Anderson Venicio. Tenho 30 anos de idade e desde o ano 2000 eu faço parte do Oficina de Cidadania. Morava no bairro do Pau Miúdo, bairro pobre e Periférico de Salvador, e para mim estudar sempre foi pensado como “a” forma de ascensão social. Para minha família era diferente. “Nós temos que trabalhar, estudar não dá camisa a ninguém!” dizia meu avo, com que fui criado. Neste ano de 2000, eu ingressei como aluno do projeto após passar pelo processo seletivo. Sempre me considerei uma pessoa com capacidade, mas para mim, ser o 2º colocado no processo de seleção com mais de 4000 pessoas, foi algo que elevou substancialmente a minha auto-estima. Me identifiquei logo de cara com o curso. Os professores eram bastantes motivadores, qualificados, não faziam questão de “manter a distância de professor e aluno”, pegavam ônibus, como eu, algo que me surpreendera por sempre acreditar que o professor era um ser superior. Passei no Vestibular. A primeira pessoa na minha família a pisar numa Universidade como aluno. Pude fazer o curso que eu realmente queria, e não aquele em que “era possível passar”, “de menor concorrência”, como requeria uma professora minha do segundo grau, ao me ouvir falar do desejo de fazer Jornalismo na UFBA. Já no meu primeiro semestre na faculdade, me interessei em fazer parte (meio como satélite) do DA de Jornalismo, e percebi que a minha visão social, aprendida nas relações do curso, era muito superior aos dos meus colegas “revolucionários” (da classe média-alta). Fui monitor, no ano seguinte. Para mim esta era a forma de retribuir a oportunidade que obtive, ajudando outros colegas a ter um conhecimento socialmente comprometido, de verdadeiro engajamento social. “Virei” professor. No ano de 2002 fui convidado a substituir o meu professor Penildon Silva Filho na cadeira de redação, pelo curso acadêmico, pela minha “experiência” como monitor, e por também já estar estagiando na Rede Bahia. Foi um momento de muito aprendizado e realização. Saí do Curso de Jornalismo na UFBa por percebê-lo como demasiadamente pragmático, por acreditar que este não me oferecia a real possibilidade de mudança e ação na sociedade. Resolvi estudar educação no curso de Pedagogia na UNEB. No ano de 2005, fui eleito como Coordenador Pedagógico do Curso Pré-Vestibular Gratuito e pude assim “por em prática” alguns perfis educacionais que eu acreditava ser positivos no projeto pré-vestibular, como por exemplo, uma maior atenção à discussão racial, tema meio “subentendido” até então. Outra prática interessante que percebemos que deveria ser intensificada foi da relação com a Consultec. Achávamos que deveríamos superas a relação de somente orientadora de nossa seleção, para ser uma apoiadora do projeto como um todo, e isto desde 2005, estamos fazendo. Na minha família, muita coisa mudou: Meu avô hoje me tem como exemplo para os meus outros primos. Todos agora, ao me ver obter alguns bens materiais através dos estudos, acreditam, agora, naquilo que eu sempre acreditei: a Educação é a única possibilidade de mudança para quem nasce pobre e preto.
Meu nome é Sheila Barreto Pinheiro, tenho 30 anos e moro